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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

À PROCURA DE RESPOSTAS -ESQUIZOFRENIA

DA SÉRIE MINHA CAIXA DE CORREIOS...


Depois de aparecer na novela da Rede Globo, Caminho das Índias, a esquizofrenia - doença que acomete o personagem Tarso, vivido por Bruno Gagliasso - despertou o interesse de muitas pessoas. Apesar da exata origem não ser conhecida, é uma síndrome incapacitante e crônica, que pode ceifar a juventude e impedir o desenvolvimento natural. Há poucas informações sobre as possíveis causas e tratamentos eficazes, mas a identificação dos sintomas, juntamente com o encaminhamento a um especialista, são de grande valia.
Ainda muito complexa, a esquizofrenia acometeu vários gênios ao longo da história da humanidade. Vincent Van Gogh, um pintor pós-impressionista, que, durante um surto, cortou a própria orelha, é um dos mais lembrados. Segundo o Médico Psiquiatra e Psicoterapeuta Peter Giovanny Martins de Martins, a doença é, na verdade, uma síndrome que atinge o pensamento, o sentimento e a percepção do paciente. "É caracterizada por ideias delirantes com peculiaridades bizarras e distorções do pensamento que são incompatíveis com a realidade. Geralmente, as alucinações têm caráter persecutório, ou seja, dentro da lógica daquela pessoa, existe alguém o perseguindo", esclarece Peter.

Causas
Até o momento, apesar das pesquisas científicas, não foi encontrada uma causa exata para sua manifestação. Trata-se de um mosaico de fatores que pode incluir componentes genéticos importantes, mudanças na química cerebral, entre outros. "Quem tem o pai ou a mãe esquizofrênico, possui 30% de chance de desenvolver o problema. Quando pai e mãe são acometidos da doença, a chance aumenta para 50%. Atualmente, 1,3% da população mundial apresenta sintomas da enfermidade e, no Brasil, são registrados 56 mil casos por ano", relata o psiquiatra.

Desenvolvimento
A doença pode se desenvolver ou não de forma gradual e, neste caso, nem o paciente nem as pessoas próximas percebem que algo está errado. O período entre a normalidade e a doença deflagrada pode levar meses. Por outro lado, há outros em quem evolui rapidamente. A mudança de comportamento é nítida, o que geralmente alarma e assusta muito os parentes.
O reconhecimento precoce é uma tarefa difícil, pois nenhuma das alterações é exclusiva da esquizofrenia. Muitas são comuns a outras enfermidades, e também a comportamentos socialmente desviantes, mas psicologicamente normais. É fato que o diagnóstico só pode ser feito por um especialista, mas a família tem papel importante em identificar a conduta diferente do paciente em potencial. A esquizofrenia detectada na fase inicial tem a vantagem de poder começar rapidamente um tratamento, o que por si não implica recuperação, mas pode evitar o sofrimento geral. Qualquer pessoa está sujeita a desenvolver o problema.

Sintomas
Pessoas com a doença podem escutar vozes e acreditar que outros estão lendo e controlando seus pensamentos ou conspirando para prejudicá-las. Essas experiências são aterrorizantes e podem causar medo, recolhimento ou agitação extrema. Os diálogos não fazem sentido e os pacientes podem ficar horas sentados, sem se mover ou falando pouco. Os portadores desta síndrome podem apresentar dificuldades em manter um emprego ou cuidar de si mesmos.
Conforme Martins, é necessário observar os sintomas positivos e negativos do paciente. Os positivos são aqueles que podem ser observados, os que chamam a atenção, como falar sozinho, a falta de expressões faciais e outros delírios. Já os negativos são os que ficam escondidos, não podem ser visualizados. "É o que chamamos de achatamento afetivo. Todo ser humano, para ter uma vida normal, tem que apresentar sentimentos como amor, raiva, medo, carinho. Um forte indício da presença da esquizofrenia é justamente a ausência desses sentimentos. As pessoas acometidas ficam privadas deles."
O especialista explica que, geralmente, a esquizofrenia começa durante a adolescência ou quando adulto jovem. "Na maioria das vezes, há desconfiança, irritabilidade, dificuldade de concentração, prejudicando o rendimento nos estudos, estados de tensão de origem desconhecida, insônia e desinteresse pelas atividades sociais com consequente isolamento." Estes sintomas são frequentemente confundidos com o uso de drogas ou dúvidas sobre a existência e a sexualidade. É comum, também, nessas fases, o desleixo com a aparência, com a higiene pessoal ou mudanças radicais no visual, o que contribui ainda mais para o falso julgamento, atribuindo as alterações de comportamento a rebeldias próprias da idade.
Somente quando um fato grave acontece, como atitudes agressivas, por exemplo, é que os familiares passam a notar um problema. Não há um exame que diagnostique precisamente a esquizofrenia. Isto depende, exclusivamente, dos conhecimentos e da experiência do profissional, que analisa o conjunto de sintomas apresentados pelo paciente e o histórico de seu desenvolvimento.

Reprodução do quadro A Enfermaria, de Vincent Van Gogh, obra que retrata um dos espaços do Hospital Psiquiátrico de Arles, no sul da França (1889), em que ficou anos internado com sintomas de esquizofrenia.

Tratamento
O tratamento visa ao controle dos sintomas e à reintegração do paciente. Ele requer duas abordagens: medicamentosa e psicossocial. O tratamento medicamentoso é feito com remédios chamados antipsicóticos ou neurolépticos, que são utilizados na fase aguda da doença para aliviar os sintomas psicóticos, e também nos períodos entre as crises, para prevenir novas recaídas. A maioria precisa utilizar a medicação ininterruptamente para não ter novas crises. Assim, o paciente deve submeter-se a avaliações periódicas com o especialista, que procura manter a medicação na menor dose possível para evitar, ainda, eventuais efeitos colaterais. As abordagens psicossociais são necessárias para promover a reintegração do paciente à família e à sociedade. Devido ao fato de que alguns sintomas - principalmente a apatia, o desinteresse e o isolamento social - podem persistir mesmo após as crises, é necessário um planejamento individualizado de reabilitação do paciente que necessita, em geral, de psicoterapia, terapia ocupacional e outros procedimentos que o ajudem a lidar mais facilmente com as dificuldades que irá enfrentar. Alguns especialistas afirmam, porém, que a pessoa acometida pela esquizofrenia pode vencer obstáculos e seguir seus sonhos. Para isso, é necessário o apoio incondicional da família e dos amigos.

Colaborou nesta edição:
O Médico Psiquiatra e Psicoterapeuta Peter Giovanny Martins de Martins.