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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O RUMO DOS CAMARADAS O futuro do "PT"

Eu fui Petista, mas perdi o rumo, confesso. Nem sei o que sou mais e nem se serei algo.Penso que as bases do PT também estão tao confusas quanto eu e tambem duvidam de suas convicçoes, mas não podem é revelar e comemorar com um charuto cubano a saída e ver que o sonho acabou.Me causa simpatia o PSOL,e me encanta uma brasileira ser uma das 20 pessoas capazes de mudar o mundo. Mas, desconfio hoje até de minha sombra.Este texto foi me mandado por um amigo e divido com vocês:
  "Uma aula de história sobre o "PT".
O PT nasceu de cesariana, há 29 anos. O pai foi o movimento sindical, e a mãe, a Igreja Católica, através das Comunidades Eclesiais de Base.
Os orgulhosos padrinhos foram, primeiro, o general Golbery do Couto e Silva, que viu dar certo seu projeto de dividir a oposição brasileira.
Da árvore frondosa do MDB nasceram o PMDB, o PDT, o PTB(JÁ EXISTIA ANTES DE 64 ERA O PARTIDO DE GETÚLIO VARGAS) e o PT... Foi um dos únicos projetos bem-sucedidos do desastrado estrategista que foi o general Golbery. Outros orgulhosos padrinhos foram os intelectuais, basicamente paulistas e cariocas, felizes de poder participar do crescimento e um partido puro, nascido na mais nobre das classes
sociais, segundo eles: o proletariado.
O PT cresceu como criança mimada, manhosa, voluntariosa e birrenta. Não gostava do capitalismo, preferia o socialismo. Era revolucionário. Dizia que não queria chegar ao poder, mas denunciar os erros das elites brasileiras.
 
O PT lançava e elegia candidatos, mas não "dançava conforme a música". Não fazia acordos, não participava de coalizões, não gostava de alianças. Era uma gente pura, ética, que não se misturava com picaretas.
 
O PT entrou na juventude como muitos outros jovens: mimado, chato e brigando com o
mundo adulto.
 Mas nos estados, o partido começava a ganhar prefeituras e governos, fruto de alianças, conversas e conchavos. E assim os petistas passaram a se relacionar com empresários,
empreiteiros, banqueiros.
 Tudo muito chique, conforme o figurino.
 E em 2002 o PT ingressou finalmente na maioridade. Ganhou a presidência da República. Para isso, teve que se livrar de antigos companheiros, amizades problemáticas. Teve que abrir mão de convicções, amigos de fé, irmãos camaradas.
 A primeira desilusão se deu entre intelectuais. Gente da mais alta estirpe, como Francisco de Oliveira, Leandro Konder e Carlos Nelson Coutinho se afastou do partido, seguida de um
grupo liderado por Plinio de Arruda Sampaio Junior.
 Em seguida, foi a vez da esquerda. A expulsão de Heloisa Helena em 2004 levou junto Luciana Genro e Chico Alencar, entre outros, que fundaram o PSOL.
  Os militantes ligados a Igreja Católica também começaram a se afastar, primeiro aqueles ligados ao deputado Chico Alencar, em seguida, Frei Betto.
  E agora, bem mais recentemente, o senador Flávio Arns, de fortíssimas ligações familiares
com a Igreja Católica.
  Os ambientalistas, por sua vez, começam a se retirar a partir do desligamento da senadora Marina Silva do partido.
 Afinal, quem do grupo fundador ficará no PT? Os sindicalistas.
  Por isso é que se diz que o PT está cada vez mais parecido com o velho PTB de antes de 64.
 Controlado pelos pelegos, todos aboletados nos ministérios, nas diretorias e nos conselhos das estatais, sempre nas proximidades do presidente da República.
 
Recebendo polpudos salários, mantendo relações delicadas com o empresariado. Cavando benefícios para os seus.
Aliando-se ao coronelismo mais arcaico, o novo PT não vai desaparecer, porque está fortemente enraizado na administração pública dos estados e municípios. Além do governo federal, naturalmente.
É o triunfo da pelegada."
 
Lucia Hippolito*

*É cientista politica,jornalista especialista em eleições, partidos políticos e Estado brasileiro
É comentarista política da rádio CBN e comentarista da UOLNEWS E GLOBONEWS.È autora do livro"Por dentro do governo Lula."