ZUZU FONTES

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sábado, 12 de junho de 2010

MUITAS VEZES PENSO EM PARAR:

Lutar pra que? Que merda de movimento e esse que é estático?Pra que lutar? Melhor é ir dormir, fazer o que se gosta, passear. Tenho um ranço, em mim, e que não é o da loucura, e nem sai na hora do banho, por mais que eu esfregue: é o de justiça social.Tenho muita raiva ainda de como a coisa funciona dentro de um hospício pelo simples fato de saber como é aquilo lá:estive lá dentro!Não, não me envergonho, talvez, nem sei ao certo. Também não me orgulho, talvez, nem sei ao certo.
Tenho muita mágoa, muito que me tratar, e muito que ajudar aos que ficaram lá.

Todo mundo descobre um dia a sua loucura e ai, fazem suas escolhas: ou se travestem, ou bebem, ou se drogam, ou exacerbam a libido e se fartam de filmes pornôs, ou prostituem-se, ou se endividam, ou traem,ou jogam, ou vão as academias por horas, ou pendem uns comprimidinhos pro doutor...
É muito complicado conviver conosco, e precisamos destes auxílios, , destas muletas sociais,baseados nas complexidades inseridas pelos contextos de nossas vidas.
Não é mole não!Nossa estória é muito forte: a sua e a minha.
Mas estou aqui e cá estamos
Não me orgulho de ouvir,: a luta continua, companheiro!Melhor se a luta não existisse, que este pesadelo todo acabasse, que soltassem as amarras e que tivéssemos direito de viver:melhor ainda se eu nunca tivesse pisado naquele inferno que se chama hospital psiquiátrico santa Isabel!
Mas, como sair incólume de uma internação indevida? Não, não me restou o tratamento apenas, mas o ódio. E muitas vezes, é ele,este sentimento desprezível e vil que me impulsiona a continuar na luta

Zulmira Fontes